Em Três Pontas, no Sul de Minas Gerais, Filipe e Tiago Campos Mendonça decidiram assumir um lugar que sempre esteve ligado à história de sua família: o campo. Mais do que dar continuidade à produção de café mantida há três gerações, os irmãos criaram uma nova maneira de enxergar o próprio negócio, transformando a sucessão familiar em um movimento de identidade, pertencimento e futuro.

Café Nhái: o café que nasceu da coragem de continuar.

Quando o legado encontra coragem

Em Três Pontas, no Sul de Minas Gerais, Filipe e Tiago Campos Mendonça decidiram assumir um lugar que sempre esteve ligado à história de sua família: o campo. Mais do que dar continuidade à produção de café mantida há três gerações, os irmãos criaram uma nova maneira de enxergar o próprio negócio, transformando a sucessão familiar em um movimento de identidade, pertencimento e futuro.

Assim nasceu o Café Nhái.

O nome, inspirado em uma saudação associada à comunidade LGBTQIA+, carrega uma história de transformação. O que poderia ser interpretado como provocação tornou-se símbolo de reconhecimento, orgulho e presença. Hoje, o Nhái representa uma nova forma de contar a história do café brasileiro: com qualidade, origem, afeto e coragem. Antes de assumirem uma participação efetiva no negócio, Filipe e Tiago precisaram enfrentar um desafio íntimo: contar à família quem realmente eram. O medo era real. Eles chegaram a imaginar que poderiam ser rejeitados ou até expulsos de casa. Mas a aceitação abriu espaço para a proximidade, a confiança e a construção de uma nova relação com o negócio familiar. O processo não aconteceu de forma imediata. Foi necessário tempo para compreender, amadurecer e transformar antigas expectativas. Com diálogo e afeto, a família encontrou uma nova maneira de caminhar unida.

Um pai, uma lavoura e uma nova geração

Cláudio Garcia Mendonça, pai de Filipe e Tiago, reconhece que o processo de aceitação exigiu tempo e maturidade. Hoje, participa diretamente do projeto dos filhos e contribui para que a família continue integrada à produção. A divisão de funções fortaleceu o negócio. Cláudio conduz as lavouras, enquanto a mãe participa das áreas financeira e comercial. Filipe se dedica à torra e à gestão da marca, e Tiago atua como diretor financeiro. O trabalho, antes concentrado em uma única atividade, passou a ser construído de forma coletiva. A família preservou suas raízes, mas também abriu espaço para uma nova dinâmica de convivência, colaboração e crescimento. Cláudio fornece cerca de 800 quilos de café a cada quinze dias para que os filhos possam torrar e comercializar os produtos com a marca Nhái. O que antes era uma atividade centralizada passou a representar uma construção conjunta, com responsabilidades compartilhadas e uma visão mais ampla de futuro.

FLIX MAGAZINE · HISTÓRIAS QUE MERECEM PERMANECER